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Pastoreio de Pastores
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EXERCÍCIO DO FOCO

Ter foco para evitar sobrecarga e ser mais eficaz Relacionado a: Pastoreio de Pastores

Visão Bíblica sobre Foco
Foco na vida de Jesus

1. Jesus tinha um sentido claro de visão e missão desde o início de seu ministério. Ele expressa isso quando diz “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me ungiu para…” (Lc 5.18, 19a). E eu, sou ungido para o que?

2. De madrugada, quando ainda estava escuro, Jesus levantou-se, saiu de casa e foi para um lugar deserto onde ficou orando. Simão e seus companheiros foram procurá-lo e, ao encontrá-lo, disseram: “Todos estão te procurando”. Jesus respondeu: “Vamos para outro lugar, para os povoados vizinhos, para que também lá eu pregue. Foi para isso que eu vim” (Mc 1.35-38). O foco de Jesus superou as vozes da multidão e dos discípulos.

3. Quando Jesus comissionou os Doze, também os mandou com um foco: “Não se dirijam aos gentios, nem entrem em cidade alguma dos samaritanos. Antes, dirijam-se às ovelhas perdidas de Israel” (Mt 10.5, 6).

4. De forma parecida, quando Jesus manda os Setenta ele diz “A colheita é grande, mas os trabalhadores são poucos. Portanto… vão… não levem bolsa, nem saco de viagem, nem sandálias; e não saúdem ninguém pelo caminho” (Lc 10.2-4). Em outras palavras, as oportunidades são grandes, não se desviem. Mantenham seu foco.

5. Na parábola dos solos (ou do semeador), o solo espinhoso representa aqueles que “ouvem, mas ao seguirem seu caminho, são sufocados pelas preocupações [ativismo, correria], pelas riquezas [materialismo] e pelos prazeres desta vida [valores deste mundo]…” (Lc 8.14). Todos os três nos tiram do foco.

6. “Desde aquele momento Jesus começou a explicar aos seus discípulos que era necessário que ele fosse para Jerusalém e sofresse muitas coisas…” Dentro do foco de sua missão, houve momentos de águas divisórias onde o chamado de Jesus se enfocava ainda mais.

7. “Aproximando-se o tempo em que seria elevado aos céus, Jesus partiu resolutamente em direção a Jerusalém” (Lc 9.51). Não deixava Pedro (Mt 16.22-23) ou mais ninguém o desviar de seu foco.

8. “Todo ramo que, estando em mim, não dá fruto, ele corta; e tudo que dá fruto ele poda para que dê mais fruto ainda” (Jo 15.1, 2). Jesus quer nos cortar atividades desnecessárias para focalizar nossa energia. Somos sábios ao tomar iniciativa para sermos parceiros nisso, abraçando essa disciplina da poda. Se não, sofreremos quando ele precisa nos podar de forma dura porque nós não prestamos atenção.

9. “Eu te glorifiquei na terra, completando a obra [o foco] que me deste para fazer” (Jo 17.4). Conseguimos dizer isso ao final do dia, do mês, do ano? Apenas assim poderemos dizer-lho ao final de nossa vida.

10. “‘Está consumado!’ Com isso, curvou a cabeça e entregou o espírito” (Jo 17.30). O propósito, o foco, pelo qual Jesus veio à terra, foi completado.
Foco na vida e ensino de Paulo

11. “Sendo assim, não corro como quem corre sem alvo [sem foco], e não luto como quem esmurra o ar [dando golpe em tudo e qualquer lugar, sem foco], mas esmurro o meu corpo e faço dele meu escravo…” (1 Co 9.26, 27a). Alguém que está numa corrida olímpica ou uma maratona, não corre por qualquer lado. Corre com foco. Nesta ilustração, Paulo estende o conceito ao fato que nossos corpos precisam ser disciplinados para que eles não nos impeçam em manter nosso foco.

12. “Uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que ficaram para trás e avançando para as que estão adiante, prossigo para o alvo [o foco]” (Fp 3.13, 14). Quatro frases, cada um expressando dedicação a um foco.

13. “Nós o proclamamos, advertindo e ensinando a cada um com toda a sabedoria, para que apresentemos todo homem perfeito em Cristo. Para isso eu me esforço, lutando conforme a sua força, que atua poderosamente em mim” (Cl 1.28-29). Tendo um foco, Paulo dedicou todas suas forças, humanas e espirituais, para isso.

14. Portanto, também nós, uma vez que estamos rodeados por tão grande nuvem de testemunhas, livremo-nos de tudo o que nos atrapalha [tudo que for fora do foco] e do pecado que nos envolve, e corramos com perseverança a corrida que nos é proposta, tendo os olhos fitos em Jesus…” (Hb 12, 1, 2). Mais uma vez, surge a imagem de um atleta que sacrifica tudo que é peso. Foco requer perseverança. Requer concentração. Mas quem nos lidera na corrida é Jesus. Ele nos mostra o caminho e estabelece o ritmo. Parar de segui-lo resulta em desvios ou uma corrida frenética em direção errada. Pode também resultar num foco obsessivo e desequilibrado.

15. “Nenhum soldado se deixa envolver pelos negócios da vida civil, já que deseja agradar àquele que o alistou” (2 Tm 2.4). Estamos debaixo de autoridade. Estamos numa batalha. Não podemos nos perder em “negócios da vida civil”, especialmente se queiramos agradar a Jesus.

16. “Assim, rei Agripa, não fui desobediente à visão celestial” (At 26.19). Você e eu: temos uma visão celestial? Estamos sendo obedientes? A convicção de Paulo foi tal que a declarava até para autoridades não crentes. Nesta passagem, Paulo está de viagem para Roma, entendendo que sua vida encerrará ali. Continua com a mesma simples dedicação ao seu foco.

17. No final de sua vida, no último capítulo de sua última carta, Paulo diz, “Combati o bom combate, terminei a corrida, guardei a fé” (2 Tm 4.6, 7). Esta é uma expressão parecida à de Jesus em João 17.4. Tive uma corrida que me foi proposta e a terminei. Tive foco… e o alcancei.

O discipulado como foco de Jesus… e para nós também
Vejamos a última noite de Jesus (João 13-17) e a forma que o foco dele no discipulado se manifestou.

18. Já citamos João 17.4 onde Jesus diz “Eu te glorifiquei na terra, completando a obra [o foco] que me deste para fazer” (Jo 17.4). Qual essa obra? Sem tomar o tempo para explicar com detalhes, deixe-me sugerir que Jesus tinha uma obra para completar através de sua morte e outra através de sua vida. Por sua morte, completou a obra redentora (“Está consumado!”). Por sua vida, completou a obra do discipulado. O contexto de João 17 é a última noite de Jesus com seus discípulos; é uma oração por eles. Jesus iniciou seu ministério chamando discípulos a lhe seguirem (Mc 1, Jo 1), se entregou a eles durante três anos e meio e encerrou seu ministério com eles (a última noite de sua vida e os 40 dias depois de sua ressurreição; At 1).

19. “Assim como me enviaste ao mundo, eu os enviei ao mundo” (Jo 17.18). Jesus enviou os Doze, e por extensão a nós também (Jo 17.20), para fazer a mesma missão, a mesma obra que ele: proclamar sua obra redentora e fazer discípulos.

20. “Em favor deles [meu foco] eu me santifico [me consagrou, me separo], para que também eles sejam santificados [separados] pela verdade” (Jo 17.19). Enviados como Jesus foi enviado, precisamos nos santificar a favor das pessoas que o Pai nos deu. Você sabe quais são essas pessoas? Está dedicado a elas, se consagra para eles, se entrega para eles?

21. Se voltarmos ao início dessa última noite com os discípulos, este foco se revela de diversas outras formas. “Um pouco antes da festa da Páscoa, sabendo Jesus que havia chegado o tempo em que deixaria este mundo e iria para o Pai, tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim” (Jo 13.1). Seu coração foi entregue aos Doze.

22. Depois de lavar os pés dos discípulos, Jesus diz “Eu lhes dei o exemplo, para que vocês façam como lhes fiz. Digo-lhes verdadeiramente que nenhum escravo é melhor do que o seu senhor, como também nenhum mensageiro é maior do que aquele que o enviou. Agora que vocês sabem estas coisas, felizes serão se as praticarem” (Jo 13.15-17). Jesus é nosso exemplo. Devemos fazer o que ele fez. Ele discipulou os homens que o Pai lhe deu. Nós não somos melhores; não devemos ser diferentes. Seremos felizes se discipularmos e infelizes se não.

23. “Foi me dada toda a autoridade nos céus e na terra. Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a obedecer a tudo o que eu lhes ordenei. E eu estarei sempre com vocês, até o fim dos tempos” (Mt 28.18-20). Esta é a única vez que Jesus se veste de autoridade como Rei dos reis e nos manda cumprir sua comissão real. Nos tempos bíblicos, desobedecer a um comando do rei foi motivo para morte. Precisamos levar a sério esta Grande Comissão. Fazendo como Jesus fez, não é principalmente o discipulado de novos convertidos e sim, o discipulado de líderes.

24. “Quem me vê, vê o Pai. Você não crê que eu estou no Pai e que o Pai está em mim? As palavras que eu lhes digo não são apenas minhas. Ao contrário, o Pai que vive em mim, está realizando a sua obra. Creiam em mim quando digo que estou no Pai e que o Pai está em mim…” (Jo 14.9b-11a). Jesus revelou o Pai e devemos fazer o mesmo. Uma das formas principais que fazemos isso é através de ser um pai espiritual (mentor, discipulador) para outras pessoas. Jesus fez isso para os Doze. No próximo parágrafo, ele prometeu que não os deixaria órfãos (Jo 14.18). Hoje a igreja está cheia de órfãos, filhos sem pai ou mãe espiritual. Essa epidemia de orfandade inicia-se no próprio pastor e flui dele. Cada um reproduz segundo sua espécie.

25. “Vocês serão meus amigos se fizerem o que eu lhes ordeno. Já não os chamo servos, porque o servo não sabe o que o seu senhor faz. Em vez disso, eu os tenho chamado amigos, porque tudo o que ouvir de meu Pai eu lhes tornei conhecido. Vocês não me escolheram, mas eu os escolhi para irem e darem fruto, fruto que permaneça…” (Jo 15.14-16a). Somos verdadeiros amigos de Jesus, verdadeiros seguidores? Se formos, faremos discípulos. Daremos fruto, fruto que permaneça, líderes discipuladores que permaneçam fieis a Jesus. Essa permanência e fidelidade são reforçadas quando esses líderes amadureçam a ponto de não abrirem mão do valor de serem discipulados e discipularem. Como discípulo, mentoreado ou pessoa pastoreada, mantemos o valor de ser um aprendiz, ensinável, humilde, submisso e interdependente. Isso nos dá a autenticidade e autoridade para também discipular, mentorear ou pastorear outros.

Quando pensemos em nosso foco, precisamos pensar nas pessoas que Deus nos deu. Parecido à parábola dos talentos (Mt 25), não importa muito quantas pessoas Deus nos deu; importa o que façamos para que elas cresçam e se multipliquem. Ao fazer o exercício do foco, normalmente uma de nossas quatro atividades prioritárias deva ser o investimento nestas pessoas. Para muitos, será uma das duas atividades mais prioritárias.

Anualmente é importante fazer o exercício do foco de novo, normalmente uns 3-4 meses antes do novo ano. Siga os seguintes passos.

1. Escreva sua visão em dez palavras ou menos.

2. Identifique seu grupo alvo e descreva seu chamado em relação a ele (um parágrafo).

3. Olhando para o próximo ano, faça uma lista de todas suas atividades e responsabilidades. Seja específico. Por exemplo, se você prega duas vezes por semana, indique isso como duas atividades: pregação domingos à noite e pregação quartas-feiras à noite. Você deve incluir as oportunidades que Deus está abrindo para você no próximo ano; não deve incluir atividades deste ano que sabe que não continuará no próximo. Para alguém que está no ministério tempo integral esta lista normalmente implica em 15 a 40 atividades. Uma forma de descobrir essas atividades pode ser repassar sua agenda deste ano e quaisquer atividades já marcadas para o próximo ano.

4. Da lista toda, escolhe 16 atividades prioritárias. As que não passam para essa lista são secundárias ou opcionais. Pode até ser que algumas atividades nas quais você está bastante envolvido e que tomam bastante tempo não entrem na lista de 16. Nesse caso, terminando este exercício, você deverá começar o processo de repassar essas atividades para outras pessoas e indicar que logo que puder fazer a transição, não continuará com elas. Em alguns casos, pode demorar um ano para você se desfazer dessas atividades, mas precisa começar desde já.

5. Pensando na metáfora de uma copa de futebol, essas 16 atividades representam as que ganharam até aqui, chegando nos “oitavo – finais” desta “Copa”. Agora escolhe as oito mais importantes para chegar nos “quarto – finais”. Elimine oito atividades do total de 16. As atividades não estão competindo entre duplas (item 1 com 2, 3 com 4) e sim todos com todos. Pode riscar o número de um item que você pensa que não passará para os quarto – finais. Pode colocar um círculo nos itens que pensa que passará, até chegar ao equilíbrio de oito eliminados e oito que ganharam. Veja o gráfico ao final deste documento que pode lhe servir neste exercício.

6. Das oito, escolhe as quatro mais importantes para chegarem aos semifinais. Essas são altas prioridades para o próximo ano. Quando houver conflito de agenda, a prioridade deve ser para elas. Seu planejamento deve destacar elas. Não quer dizer necessariamente que a maior parte de seu tempo irá para estas quatro atividades, mas onde houver conflitos, elas terão prioridade.

7. Das quatro, escolhe duas. Deve investir fundo nestas atividades que são de altíssima prioridade.

8. Das duas, escolhe uma. Este é o foco de seu ministério para o próximo ano. Deve ser onde você provavelmente investirá a maior parte de seu tempo, focalizando sua energia e esforços nesta área.

9. Se você tiver uma equipe, é interessante pedir que eles façam este exercício e compartilhem os resultados com você e a equipe. Dessa forma, todos podem apoiar uns aos outros em seu foco e prioridades. Podem enxergar também onde os focos e prioridades das diferentes pessoas se alinham para poder cooperarem mais nessas áreas.

10. Atividade opcional: Muitos estamos sobrecarregados e viciados no ativismo. Precisamos não apenas descobrir nosso foco e prioridades, mas descobrir nosso grau de sobrecarga ou equilíbrio. Um segundo exercício lhe ajudará nisso.

Volte a sua lista inicial de 15-40 atividades. Para cada atividade indique o número de dias que dedicará a ela durante o ano. Por exemplo, se for uma atividade semanal, multiplique o número de horas semanais, incluindo tempo de preparo ou seguimento, pelo número de semanas e divida pelo número de horas de trabalho por dia para chegar numa estimativa anual do número de dias dedicados a essa atividade. Ilustrando, se você supervisiona grupos familiares, visitando um a cada semana e o tempo envolvido na média for 3 horas semanais (tempo de ir e voltar, reunião, conversas posteriores, possíveis encontros individuais com os líderes), multiplique isso pelo número de semanas que normalmente faria essa atividade. Se tirar um mês de férias e algumas semanas que os grupos familiares não se reúnem, possivelmente seriam 44 semanas. 44 semanas x 3 horas = 132 horas. 132/8 horas = 16.5 dias.

Quando terminar de indicar os dias para cada atividade, some o número de dias. Pode ser que coloque a um lado algumas atividades que são para seu próprio bem, considerando-as como parte de seu tempo pessoal e não parte de seu ministério. Havendo tirado essas atividades, terá um total para o ano. Se tirar um mês de férias e um dia sabático semanalmente nos outros 11 meses, você não deve ultrapassar 287 dias (365 dias no ano menos 30 dias de férias menos 48 dias de descanso = 287). Se você está acima disso, precisa orar para Deus esclarecer quais atividades pode ou deve parar de fazer.

11. Oração de discernimento. Esta oração sobre quais atividades parar de fazer pode ser difícil e dolorida. O coração da oração são perguntas como “Pai, o que Tu queres que eu faça este ano?” “Onde que Tu estás agindo e onde queres que eu de forma especial lhe acompanho?” Isto pode ser a base de um retiro com Deus.

12. Conversas de discernimento. Converse de forma transparente com seu cônjuge e com seus mentores ou líderes espirituais. Ouça bem a perspectiva deles.

David Kornfield

Exercício do Foco